Aspectos Gerais
A presença de agentes químicos, físicos ou biológicos no ambiente de trabalho oferece um risco à saúde dos trabalhadores. Entretanto, o fato de estarem expostos a estes agentes agressivos não implica, obrigatoriamente, que estes trabalhadores venham a contrair uma doença do trabalho.

Para que os agentes causem danos à saúde, é necessário que estejam acima de uma determinada concentração ou intensidade, e que o tempo de exposição a esta concentração ou intensidade seja suficiente para uma atuação nociva destes agentes sobre o ser humano.

Nota-se, portanto, que é muito importante fazer uma avaliação quantitativa agente, bem como avaliar o tempo real de exposição do trabalhador a este agente (qualidade – quantidade – tempo de exposição).

Existem limites que têm por objetivo garantir a proteção da saúde, mas o seu caráter não é absoluto, refletindo, unicamente, o estado em que se encontram os conhecimentos em um dado momento. Eles são baseados na melhor informação disponível, proveniente da experiência industrial e de estudos experimentais com animais.

Estes limites podem sofrer alterações de ano para ano, conforme se constate que o limite, anteriormente fixado, não está protegendo efetivamente o trabalhador. Eles denominan-se Limite de Tolerância.

Principais Acidentes
Os diversos agentes químicos que podem poluir um local de trabalho e entrar em contato com o organismo dos trabalhadores podem apresentar uma ação localizada ou serem distribuídos aos diferentes órgãos e tecidos, levados pelos fluidos internos (sangue e outros), produzindo uma ação generalizada.

Por este motivo as vias de ingresso destas substâncias ao organismo são:
1) Inalação,
2) Absorção cutânea
3) Ingestão Inalação: constitui a principal via de ingresso de tóxicos, j á que a superfície dos alvéolos pulmonares representa, no homem adulto uma superfície entre 80 a 90 m2.

Esta grande superfície facilita a absorção de gases e vapores, os quais podem passar ao sangue, para serem distribuídos a outras regiões do organismo. Alguns sólidos e líquidos ficam retidos nesses tecidos, podendo produzir uma ação localizada ou dissolvem-se para serem distribuídos através do aparelho circulatório.

Sendo o consumo de ar de 10 a 20 kg diários, dependendo fundamentalmente do esforço físico realizado é fácil chegar à conclusão que mais de 90% das intoxicações generalizadas tenham essa origem.

Absorção cutânea: quando uma substância de uso industrial entra em contato com a pele, podem acontecer as seguintes situações:
a) A pele e a gordura protetora podem atuar como uma barreira protetora efetiva.
b) O agente pode agir na superfície da pele, provocando uma irritação primária.
c) A substância química pode combinar com as proteínas da pele e provocar uma sensibilização.
d) O agente pode penetrar através dela, atingir o sangue e atuar como um tóxico generalizado. Assim, por exemplo, o ácido cianídrico, o mercúrio, o chumbo tetraetila (usado nas gasolinas como antidetonante), alguns defensivos agrícolas, etc. são substâncias que podem ingressar através da pele, produzindo uma ação generalizada.

Apesar destas considerações, normalmente a pele é uma barreira bastante efetiva para os diferentes tóxicos, e são poucas as substâncias que conseguem ser absorvidas em quantidades perigosas. Por essas razões, as medidas de prevenção de doenças nesses casos, devem incluir a proteção da superfície do corpo.

Ingestão: representa apenas uma via secundária de ingresso de tóxicos no organismo, já que nenhum trabalhador ingere, conscientemente, produtos tóxicos. Isto pode acontecer de forma acidental ou ao engolir partículas que podem ficar retidas na parte superior do trato respiratório ou ainda ao inalar substâncias em forma de pós ou fumos.

Além do já exposto, deve-se considerar que o aparelho digestivo está formado de tal modo que seleciona os materiais úteis ao organismo, e rejeita os que não lhe servem.

Medidas Genéricas de Controle dos Agentes de Acidentes Ambientais
A prática tem demonstrado a efetividade de uma série de medidas que, em conjunto ou individualmente, podem ser eficientes na redução dos riscos a que estão expostos os trabalhadores.

Podem ser separadas em duas classes distintas:
A) Medidas Relativas ao Ambiente de Trabalho
B) Medidas Relativas ao Pessoal

A. Medidas Relativas ao Ambiente de Trabalho
O controle dos agentes é feito nas fontes causadoras do acidente (máquinas, processos, produtos, operações), e na trajetória desses agentes até o trabalhador e medidas relativas ao trabalhador, que é o receptor involuntário desses agentes.

A.1- Substituição do produto tóxico ou nocivo
A substituição de um material tóxico não é sempre possível; entretanto, quando o é, representa a maneira mais segura de eliminar ou reduzir um risco.

Entre os numerosos exemplos podem ser citados a troca do chumbo por óxido de titânio e zircônio, e por sais de zinco, em esmaltes vitrificados e pinturas.

A.2- Mudanças ou alteração do processo ou operação
Mesmo sabendo que a maioria das mudanças ou alterações é feita no sentido de redução de custos e aumento de produção, o profissional deve saber tirar partido dessas mudanças, orientando-as de maneira a conseguir também os objetivos de segurança. Um bom exemplo é utilização de pintura por imersão ao invés de pintura a pistola.

A.3- Encerramento ou enclausuramento da operação
Esta medida consiste no confinamento da operação, objetivando-se, assim, impedir a dispersão do contaminante por todo o ambiente de trabalho. São exemplos: o esmerilhado e gravação de cristais, caixas de jateamento abrasivo, certos processos da indústria química.

A.4- Ventilação geral diluidora
Ao instalar-se um sistema de ventilação geral em um ambiente de trabalho, é o de rebaixando a concentração de contaminantes ambientais a níveis aceitáveis mediante a introdução de grandes volumes de ar, sua eficácia pode também ser aumentada utilizando-se correntes convectivas criadas por corpos a temperatura elevada, facilitando a eliminação do ar contaminado.

A.5- Ventilação local exaustora
A ventilação local exaustora é um dos sistemas mais eficazes para se prevenir a contaminação do ar na indústria. O contaminante assim capturado é levado por tubulações ao exterior ou ao sistema de coleta do contaminante.

A.6- Manutenção
Rigorosamente, não se pode considerar este como um método de prevenção no sentido estrito da palavra, mas, constitui parte e complemento especialmente importante de qualquer dos anteriores, não só quando se trata dos equipamentos de controle de riscos ambientais, mas também de equipamentos e instalações em geral na empresa.

A.7- Projetos adequados
Todas as medidas mencionadas serão, via de regra, mais efetivas e viáveis econômica e fisicamente, se consideradas na etapa de projeto de quaisquer equipamentos, processos e suas operações. Assim, a etapa de projeto é sempre fase de ataque ideal dos problemas de Higiene e Segurança Industrial. B. Medidas Relativas ao Pessoal

B.1- Equipamento de proteção individual
Os Equipamentos de Proteção Individual devem ser sempre considerados como uma segunda linha de defesa, após criteriosas considerações sobre todas as possíveis medidas de controle relativas ao ambiente, que possam eventualmente ser tomadas e aplicadas prioritariamente. O uso correto dos EPIs por parte dos trabalhadores, assim como as limitações de proteção que eles oferecem, são aspectos que o pessoal deve conhecer através de treinamentos específico.

B.2- Educação e treinamento
As ações de educação e treinamento, principalmente aquelas dirigidas à Segurança e Higiene do Trabalho, devem ter lugar sempre independentemente da utilização de outras medidas de controle, sendo na realidade importante complementação a qualquer uma. Tais ações, devem incluir, entre outros itens, a conscientização do trabalhador, quanto aos riscos inerentes às operações, aos riscos ambientais, e às formas operacionais adequadas que garantam a efetividade das medidas de controle adotadas.

B.3- Controle médico
Exames médicos pré-admissionais e periódicos constituem medidas fundamentais, de caráter permanente e se situam entre as principais atividades dos serviços médicos da empresa. Também os exames médicos periódicos dos trabalhadores possibilitam, além de um controle de saúde geral do pessoal, a detecção de fatores que podem levar a uma doença profissional, assim como, serão uma forma de avaliar a efetividade dos métodos de controle empregados.

B.4- Limitação da exposição
A redução dos períodos de trabalho em ambientes insalubres e periculosos torna-se importante medida de controle, onde todas as outras medidas possíveis forem, inefetivas, impraticáveis (técnica, física ou economicamente), ou insuficientes no controle de um agente, por não se lograr, desse modo, a eliminação ou redução do risco a níveis seguros. São exemplos típicos desse procedimento o controle de exposições ao calor intenso, a pressões anormais, ao ruído e às radiações ionizantes.